AMD “tira a tampa” do EPYC Venice: 256 núcleos Zen 6 em 2nm nos servidores
Tem novidade pesada chegando ao mundo dos servidores — e, desta vez, a AMD tirou a tampa do assunto quase literalmente. Durante o OCP Global Summit 2025, em San Jose, na Califórnia, a empresa removeu os coolers das máquinas expostas e mostrou de perto o EPYC 9006 “Venice”, sua próxima geração de processadores para servidores. A estrela da festa é o aguardado Zen 6, que finalmente estreia no mercado corporativo.
O que é o EPYC 9006 Venice?
Considere o Venice o sucessor do EPYC 9005 “Turin”, lançado em 2024. A AMD mantém a tradição de batizar seus chips de servidor com nomes de cidades italianas: depois de Gênova e Turim, chegou a vez de Veneza. E a homenagem é justa, porque o EPYC 9006 chega com até 256 núcleos físicos e 512 threads por soquete — um salto considerável em relação à geração anterior.
Como a AMD consegue amontoar tantos núcleos em um chip só? A resposta está na arquitetura de chiplets. Em vez de fabricar uma fatia de silício gigante e complexa, a empresa divide o processador em blocos menores e mais fáceis de produzir: os chiplets de cálculo, que concentram os núcleos, e um chip central de I/O, responsável pela conversa com memória e periféricos. No Venice, cada bloco de cálculo carrega 16 núcleos Zen 6, e o pacote final pode unir até 16 desses blocos.
E não se trata apenas de quantidade. Cada nova geração da arquitetura Zen costuma trazer ganhos de desempenho por núcleo e melhorias de eficiência, e o Zen 6 chega com a missão de sustentar os workloads mais pesados da atualidade: modelos de IA cada vez maiores, análises de dados em tempo real e supercomputadores científicos. Em outras palavras, mais músculos e menos consumo de energia no mesmo espaço.
- Até 256 núcleos e 512 threads por soquete
- Núcleos Zen 6 em chiplets feitos no processo TSMC N2 (2 nanômetros)
- Chip de I/O fabricado no processo N4P (4nm)
- Novo soquete SP7 (LGA9324), maior que o SP5 atual
- 12 canais de memória DDR5 com suporte a MRDIMMs
- Chegada ao mercado prevista para 2026
O pulo do gato: 2 nanômetros
Aqui mora o detalhe que fez os entusiastas de hardware arquearem as sobrancelhas: os chiplets de cálculo do Venice são fabricados no TSMC N2, o processo de 2 nanômetros. Segundo a AMD, trata-se do primeiro processador de alto desempenho do mundo a utilizar essa tecnologia. Hoje, os chips mais avançados do mercado ainda operam em nós de 3nm ou maiores. Cada encolhimento desses significa mais transistores por área, melhor eficiência energética e mais espaço para crescer — exatamente o que cargas de IA e computação científica exigem.
Soquete novo e memória muito mais rápida
Quem sonhava em encaixar um Venice numa placa-mãe antiga pode ir se despedindo da ideia: o EPYC 9006 estreia o soquete SP7 (LGA9324), fisicamente maior que o SP5 usado por Gênova e Turim. A mudança se justifica pelos novos recursos de alimentação e I/O que o chip precisa oferecer.
No departamento de memória, o Venice mantém os 12 canais DDR5, mas ganha suporte a MRDIMMs (Multiplexed Rank DIMMs). Em tradução livre: são módulos capazes de mover dados com muito mais eficiência, elevando de forma expressiva a largura de banda disponível para o processador. Aplicações que vivem famintas por memória — bancos de dados, simulações e treino de modelos de IA — têm tudo a ganhar. O chip de I/O, aliás, também foi renovado e agora é produzido no processo N4P, de 4 nanômetros.
Demonstração ao vivo e calendário em marcha
Não ficou só no papel: a AMD levou ao evento sistemas com Venice rodando ao vivo, prova de que o silício já existe e funciona de verdade. A produção também está nos trilhos, com lançamento previsto para 2026. Com isso, a AMD sustenta o ritmo agressivo de renovar sua linha de servidores praticamente a cada ano.
Do outro lado da arena, a Intel se prepara para responder com a linha Xeon 6 e os futuros Diamond Rapids. A briga pelo trono dos data centers promete esquentar — e, mais uma vez, quem sai ganhando é qualquer pessoa que usa nuvem, assiste streaming ou conversa com assistentes de IA, porque tudo isso roda em chips como esses.
E quem não tem data center, liga o quê?
Provavelmente você nunca vai instalar um EPYC de 256 núcleos em casa (a menos que renderizar vídeos 8K conte como hobby). O detalhe é que esses processadores são os motores invisíveis do seu cotidiano: eles sustentam a nuvem onde suas fotos ficam guardadas, os jogos online, os serviços de streaming e boa parte das ferramentas de inteligência artificial que você usa sem perceber.
Fique de olho na Oficina dos Bits para acompanhar a chegada do Zen 6 e de todas as tecnologias que vêm junto com essa nova geração. A corrida dos processadores está cada vez mais quente — e 2026 promete ser um ano e tanto para quem ama hardware.






