Valorant e a BIOS: Por que o Vanguard agora exige que você atualize o coração do seu PC

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Valorant e a BIOS: Por que o Vanguard agora exige que você atualize o coração do seu PC

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Valorant e a BIOS: Por que o Vanguard agora exige que você atualize o coração do seu PC

Se você é jogador de Valorant, provavelmente já sabe que o Vanguard, o sistema anti-trapaça da Riot Games, é um dos mais rigorosos do mundo. Ele não apenas vigia o que você faz durante a partida, mas começa a trabalhar no exato momento em que você aperta o botão de ligar o computador. Recentemente, a Riot elevou o nível dessa exigência, enviando notificações para diversos jogadores avisando que, para continuar jogando, eles precisarão realizar ajustes profundos no sistema, especificamente na BIOS (ou UEFI) de suas máquinas.

Imagine que o seu computador é uma fortaleza. O Windows é o pátio principal, onde tudo acontece, mas a BIOS é o alicerce, a base de tudo. Se a base não for considerada segura pelo Vanguard, ele simplesmente não permite que o jogo seja executado. Essa nova atualização foca em tecnologias de segurança que garantem que nenhum programa malicioso, como os temidos “rootkits”, consiga se esconder antes mesmo do sistema operacional carregar. Para muitos, isso significa ativar recursos que estavam desligados ou, em casos mais específicos, realizar uma atualização completa de firmware.

O que está mudando no sistema anti-trapaça da Riot

A grande novidade é que o Vanguard agora exige de forma mais contundente que recursos como o Secure Boot e o TPM 2.0 (Trusted Platform Module) estejam ativos e operando corretamente. Embora o Windows 11 já peça essas especificações por padrão, muitos usuários que ainda utilizam o Windows 10 ou que fizeram o upgrade de forma não oficial estão encontrando barreiras. A Riot está essencialmente forçando uma padronização de segurança que torna a vida dos criadores de trapaças muito mais difícil.

Quando o Vanguard detecta que o seu PC está rodando em um modo de compatibilidade antigo, conhecido como Legacy ou CSM, ele emite um erro. Isso acontece porque esses modos antigos possuem vulnerabilidades que permitem que softwares externos manipulem o jogo de formas que o anti-cheat não consegue detectar facilmente. Ao exigir o UEFI puro, a Riot garante um ambiente controlado onde cada componente do hardware é verificado antes de ser autorizado a funcionar.

Entendendo os termos: UEFI, Secure Boot e TPM 2.0

Para quem não é um entusiasta de hardware, esses nomes podem parecer assustadores, mas vamos simplificar. O UEFI é a versão moderna da antiga BIOS. Ele é mais rápido, mais visual e muito mais seguro. Ele permite que o computador entenda melhor o hardware moderno e oferece ferramentas de criptografia que as tecnologias dos anos 90 e 2000 não possuíam. Migrar para o UEFI é como trocar uma fechadura de chave antiga por um sistema de biometria de última geração.

O Secure Boot, ou Inicialização Segura, é uma funcionalidade dentro do UEFI. Sua única tarefa é garantir que apenas softwares assinados e confiáveis possam ser carregados durante o boot. Se um hacker tentar inserir um código de trapaça no início do processo, o Secure Boot bloqueia o acesso. Já o TPM 2.0 é um chip físico ou uma instrução no processador que guarda chaves criptográficas. Ele serve como o documento de identidade digital do seu computador, provando para o Vanguard que aquela máquina é legítima e não foi alterada.

Por que a Riot está fazendo isso agora?

O cenário das trapaças em jogos competitivos evoluiu drasticamente. Antigamente, os “cheats” eram programas simples que rodavam junto com o jogo. Hoje, existem dispositivos de hardware e softwares que agem em um nível tão profundo do sistema que são invisíveis para a maioria dos softwares de segurança tradicionais. Ao exigir que a segurança comece na BIOS, a Riot cria uma barreira física e digital que invalida grande parte dessas trapaças sofisticadas.

Essa medida também protege a integridade competitiva do jogo. Em um cenário onde milhões de dólares estão em jogo em torneios e a experiência do usuário comum é afetada por trapaceiros, garantir que todos os jogadores estejam em um ambiente seguro é vital. Embora pareça um incômodo para quem precisa mexer nas configurações, o resultado final é um jogo mais justo e com menos interrupções por conta de jogadores mal-intencionados.

Os desafios de atualizar a BIOS

Muitos usuários se sentem intimidados ao entrar na tela azul ou cinza da BIOS. E com razão: uma configuração errada ou uma queda de energia durante uma atualização de BIOS pode impedir o computador de ligar. No entanto, os fabricantes de placas-mãe modernos tornaram esse processo muito mais amigável. Hoje, é comum encontrar utilitários que fazem a atualização diretamente pela internet ou através de um pendrive com poucos cliques.

Se o seu computador é de uma geração mais recente, provavelmente ele já possui suporte para tudo o que o Vanguard exige, mas talvez essas opções estejam desativadas de fábrica. Para computadores montados há mais de cinco ou seis anos, a situação pode exigir um pouco mais de pesquisa. Em alguns casos, uma simples atualização de software da placa-mãe libera o suporte ao TPM 2.0 ou corrige erros de compatibilidade com o Secure Boot, permitindo que o Valorant volte a rodar normalmente.

Como saber se o seu computador é compatível?

Antes de entrar em pânico e achar que precisa comprar um PC novo, você pode verificar o status do seu sistema facilmente. No Windows, basta procurar por “Informações do Sistema” e verificar o item “Estado da Inicialização Segura”. Se estiver como “Ativado”, você está no caminho certo. Além disso, digitar o comando tpm.msc no menu executar mostrará se o chip de segurança está pronto para uso.

  • Verifique o Modo da BIOS: Certifique-se de que está em modo UEFI e não em Legacy/CSM.
  • Ative o Secure Boot: Esta opção geralmente fica na aba de segurança ou boot da sua BIOS.
  • Habilite o TPM/PTT: Em processadores Intel, procure por PTT; em processadores AMD, procure por fTPM.
  • Mantenha os drivers atualizados: Além da BIOS, drivers de chipset são fundamentais para a comunicação com esses recursos de segurança.

O futuro da segurança nos games

O que estamos vendo com o Valorant é apenas o começo de uma tendência maior na indústria de tecnologia. A integração entre hardware e software para garantir a segurança será cada vez mais comum. Empresas como a Microsoft já deram o primeiro passo com o Windows 11, e agora as desenvolvedoras de jogos estão seguindo o mesmo caminho. No fim das contas, embora o processo de atualização possa dar um pouco de trabalho agora, ele garante que sua máquina esteja mais protegida não só contra trapaceiros, mas também contra ameaças digitais reais do dia a dia.

Se você encontrar dificuldades para realizar esses ajustes, lembre-se que ter o suporte de quem entende de hardware faz toda a diferença. Manter seu PC atualizado não é apenas sobre jogar, é sobre garantir que sua ferramenta de trabalho e lazer esteja sempre operando em sua máxima capacidade e segurança. O Vanguard pode ser exigente, mas ele está apenas nos lembrando que a tecnologia avança e a segurança deve acompanhar esse ritmo.